« Pega um, pega geral… | Principal | Por que eu fiquei tanto tempo sem escrever no blog »
fevereiro 18, 2008
Sobre Tropa de Elite
(vejam bem: não sou cinéfilo, nem tenho a pretensão de ser algo minimamente parecido nem mesmo com um crítico de cinema amador — o que vai aí é uma mera impressão pessoal)
Foi interessante notar que Tropa de Elite foi um dos filmes brasileiros mais odiados pela “inteligentsia cinematográfica” local. Toda hora que alguém falava sobre o filme, citavam-se tendências fascistas, supostas apologias à violência, o diabo à quatro.
Pois eu digo: o grande trunfo do Tropa de Elite esteve justamente naquilo que o pessoal “cult” olhou com cara de nojo: ele não reza nem pela cartilha estética e nem pela cartilha ideológica da maioria da classe intelectual atual, que há décadas (desde o cinema-novo, acho) sempre pendeu para o “brasilianismo”, para a escola européia de diretores, para o esquerdismo, para o politicamente correto e, por que não, até mesmo para o anti-americanismo estético e político.
Pois bem. Tropa de Elite é tão “não-brasileiro” e “americano” em sua proposta quanto pode ser, e é por isso que cativou as pessoas. Nunca na minha vida até hoje tinha visto com tanta frequência camelôs vendendo na rua um filme brasileiro que não fosse pornográfico.
Quantidade é sinônimo de qualidade? Nem sempre. Mas o fato é que sempre houve uma dicotomia, que nnca se assumiu, entre o que os diretores brasileiros acham que é bom cinema e o que o público acha que é bom cinema. E aí, bem, aí a gente vê o que acontece hoje em dia: cineastas usando direta ou indiretamente dinheiro estatal para fazer filmes que os enchem de orgulho, mas que ninguém quer ver.
E não adianta querer criar reservas de mercado, quotas de tela, o escambau: se o cinema brasileiro uqer evoluir, ele tem que parar, nem que seja um poquinho, de olhar para o Cahiers du Cinema e o Ministério da Cultura e olhar para os cinemas, para as pessoas comuns, para o público. E fazer uma linguagem cinematográfica nova, sem rodeios, sem pregações obrigatórias socialistas, que vai direto ao assunto.
E é justamente nisso que eu achei Tropa de Elite revolucionário. Se o cinema nacional começasse a ter mais filmes assim, com certeza o panorama cultural das telas por aqui mudaria… e os filmes seriam comentados além das rodinhas de café de centros culturais e colunas obscuras nos cadernos de cultura.
Mas anyway, o ursinho dourado em si já é um grande reconhecimento.
PS: Queria deixar claro uma coisa: a defesa que fiz aqui é do filme, e não do personagem Capitão Nascimento. O filme não é uma representação da luta do bem contra o mal, e sim uma representação de uma guerra suja no meio do desespero de uma sociedade cuja estrutura está necrosada.
Escrito por Marcelus G. Zalotti | fevereiro 18, 2008 12:19 AM