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dezembro 30, 2006
O ano do ocaso de (alguns) ditadores
Bom, não foram só Pinochet e Saddam que, de uma forma ou de outra, encontraram o foice da morte este ano.
Quem morreu recentemente também foi Sapamurat Niyazov do Turcomenistão, um dos ditadores mais bizarros da Terra, junto com o Kim “eu gosto de cabelo arrepiado e da nadar com garotas gostosas na piscina” Jong Il da Coréia do Norte.
Infelizmente, a bizarrice de uma ditadura geralmente serve como um termômetro do seu nível de isolamento e autoritarismo: no Turcomenistão, Niyazov impôs um culto neo-brega-stalinista ao redor da sua imagem, destruiu a saúde e a educação (os alunos na escola não aprendem muitas coisas além dos livros obrigatórios de poesia filosófica escritos por Niyazov), calou a boca dos dissidentes e de qualquer tentativa da imprensa livre através do serviço de inteligência a la KGB, entre outras coisas.
Mas ele, que era obeso e que deveria viver uma vida muito boa às custas das montanhas de dinheiro geradas pelos depósitos de gás turcomeno, acabou morrendo mais cedo do que se imaginava. Como acontecia na União Soviética (país do qual o Turcomenistão fazia parte até 1991), nunca pode-se dizer com muita certeza a respeito das circunstâncias da morte de um líder, mas pelo jeito o ex-ditador morreu de ataque cardíaco.
Isso significa que com o fim do governo Niyazov o pobre Turcomenistão está livre dos grilhões da repressão e pode comemorar a liberdade? Infelizmente, a resposta é não.
Em primeiro lugar, constata-se que o país ex-soviético sofre da tal “maldição dos recursos naturais” que ataca lugares como á Nigéria e outros países por aí: a tentação dos poderosos de criar uma ditadura e se apossar do país é imensa, pois os donos do poder acabam sentando em cima de um baú milionário de dinheiro. Segundo, por causa da política duríssima de censura e des-educação, o povo mais jovem que geralmente tem poder de mobilização e consicência tem atualmente a cabeça “lavada”, sem saber o que acontece além das fronteiras, sem saber que o regime é brutal, sem saber quais são seus direitos, sem saber o que é uma coisa cahamda liberdade. E terceiro, o regime turcomeno tem uma elite político-militar-econômica que funciona como um decalque quase perfeito da antiga União Soviética pré-Gorbachev, e portanto não permite e não permitirá a mudança real da situação.
Sendo assim, o sucessor do “pai dos turcomentos”, como ele próprio se definia, é um sujeito chamado Gurbanguly Berdymukhammedov, ex-dentista do ditador e um sujeito que é estranhamente muito parecido com Niyazov — rolam até boatos de que ele seria filho ilegítimo dele.
E indo para o outro lado do oceano, num lugar onde as pessoas têm nomes menos estranhos e falam uma língua parecida com a nossa, encontramos o decadente ditador Fidel Castro, que há meses se encontra hospitalizado, sem aparecer em público nem mesmo para a festa de aniversário de 80 anos dele (engraçado: é curioso lembrar que Fidel é da mesma geração que a Rainha Elisabeth II, Marilyn Monroe, Hugh Hefner e o Papa Bento XVI). A imprensa oficial cubana diz que ele apesar de tudo está bem, se recuperando para retornar ao poder. Mas fora da ilha a imprensa, principalmente a norte-americana, diz que ele está no fim de seus dias e que ele não voltará mais. Tendo a acreditar mais na imprensa de países democráticos.
Escrito por Marcelus G. Zalotti | dezembro 30, 2006 09:43 PM
Comentário
Fidel tá fazendo hora extra. Morreu mas esqueceu de abandonar o corpo.
Esse mundo é muito ridículo. Show em torno de Saddam que agora está morto, e que foda-se o Turcomenistão.
Que os ET's venham e tomem o controle!
Escrito por: Rafael Slonik | dezembro 31, 2006 12:36 AM