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dezembro 30, 2006
Crise no céu do Brasil
Bom, já que o ano está no fim eu queria dar mais um pitaco aqui, agora a respeito desta crise dos aeroportos que tem feito as manchetes nos dias e meses mais recentes.
O que acontece é que o sistema de transporte aéreo brasileiro está mal-dimensionado em relação às demandas de hoje. Ele foi criado não para atender grandes populações de gente de todas as classes que vão para todos os lugares, inclusive dentro do Brasil; ele foi criado para atender a uma pequena elite que viajava de VASP e VARIG e que geralmente fazia o “circuito Elisabeth Arden” (Nova York, Paris, Londres…).
Isso funcionou relativamente bem dos anos 60 até os anos 90, mas aí quando o transporte aéreo foi ficando gradativamente mais barato e fácil, e portanto mais acessível, é que o caldo começou a entornar. O que se vê hoje em dia é aenas o estouro de uma bolha que já vinha crescendo há muito tempo, mas que poucos davam muita atenção até ela estourar… aliás, esse tipo de “procedimento” é típico em outras situações brasileiras, diga-se de passagem.
Escrito por Marcelus G. Zalotti | 11:10 PM | Comentários (0)
Moralismo e bons negócios
Tudo bem que eu já falei do assunto aqui no blog antes, mas eu quero mais uma vez colocar aqui o link para uma matéria falando a respeito das suspeitíssimas campanhas anti-AIDS da adminstração George Bush Filho:
David Rosen: Bush's Foreign Sex Policy
É interessante ler no artigo que, lado a lado com a política de abstinência sexual anti-camisinha, há também o apoio dos grandes laboratórios farmacêuticos, que ganham dinheiro vendendo medicamentos patenteados com suas marcas aos doentes de AIDS dos países pobres, em vez de genéricos que poderiam sair mais barato.
Bom, a campanha anti-AIDS do Brasil é exatamente o inverso disso: ela é baseada na prevenção e na distrubuição de camisinhas, e quem se contamina e fica doente sendo ponre pode contar
com medicamentos genéricos e de distribuição gratuita.
Adivinha qual campanha é a mais elogiada e tida como eficiente pelas entidas internacionais…
Escrito por Marcelus G. Zalotti | 10:18 PM | Comentários (0)
E para mim, o homem mais influente deste ano foi…
…Vladimir Putin, sem sombra de dúvida. Fez o que quis, com quem quis, não precisou dar satisfações a ninguém e no final das contas está terminando o ano ainda mais podersoso do que já era.
Escrito por Marcelus G. Zalotti | 10:14 PM | Comentários (0)
O ano do ocaso de (alguns) ditadores
Bom, não foram só Pinochet e Saddam que, de uma forma ou de outra, encontraram o foice da morte este ano.
Quem morreu recentemente também foi Sapamurat Niyazov do Turcomenistão, um dos ditadores mais bizarros da Terra, junto com o Kim “eu gosto de cabelo arrepiado e da nadar com garotas gostosas na piscina” Jong Il da Coréia do Norte.
Infelizmente, a bizarrice de uma ditadura geralmente serve como um termômetro do seu nível de isolamento e autoritarismo: no Turcomenistão, Niyazov impôs um culto neo-brega-stalinista ao redor da sua imagem, destruiu a saúde e a educação (os alunos na escola não aprendem muitas coisas além dos livros obrigatórios de poesia filosófica escritos por Niyazov), calou a boca dos dissidentes e de qualquer tentativa da imprensa livre através do serviço de inteligência a la KGB, entre outras coisas.
Mas ele, que era obeso e que deveria viver uma vida muito boa às custas das montanhas de dinheiro geradas pelos depósitos de gás turcomeno, acabou morrendo mais cedo do que se imaginava. Como acontecia na União Soviética (país do qual o Turcomenistão fazia parte até 1991), nunca pode-se dizer com muita certeza a respeito das circunstâncias da morte de um líder, mas pelo jeito o ex-ditador morreu de ataque cardíaco.
Isso significa que com o fim do governo Niyazov o pobre Turcomenistão está livre dos grilhões da repressão e pode comemorar a liberdade? Infelizmente, a resposta é não.
Em primeiro lugar, constata-se que o país ex-soviético sofre da tal “maldição dos recursos naturais” que ataca lugares como á Nigéria e outros países por aí: a tentação dos poderosos de criar uma ditadura e se apossar do país é imensa, pois os donos do poder acabam sentando em cima de um baú milionário de dinheiro. Segundo, por causa da política duríssima de censura e des-educação, o povo mais jovem que geralmente tem poder de mobilização e consicência tem atualmente a cabeça “lavada”, sem saber o que acontece além das fronteiras, sem saber que o regime é brutal, sem saber quais são seus direitos, sem saber o que é uma coisa cahamda liberdade. E terceiro, o regime turcomeno tem uma elite político-militar-econômica que funciona como um decalque quase perfeito da antiga União Soviética pré-Gorbachev, e portanto não permite e não permitirá a mudança real da situação.
Sendo assim, o sucessor do “pai dos turcomentos”, como ele próprio se definia, é um sujeito chamado Gurbanguly Berdymukhammedov, ex-dentista do ditador e um sujeito que é estranhamente muito parecido com Niyazov — rolam até boatos de que ele seria filho ilegítimo dele.
E indo para o outro lado do oceano, num lugar onde as pessoas têm nomes menos estranhos e falam uma língua parecida com a nossa, encontramos o decadente ditador Fidel Castro, que há meses se encontra hospitalizado, sem aparecer em público nem mesmo para a festa de aniversário de 80 anos dele (engraçado: é curioso lembrar que Fidel é da mesma geração que a Rainha Elisabeth II, Marilyn Monroe, Hugh Hefner e o Papa Bento XVI). A imprensa oficial cubana diz que ele apesar de tudo está bem, se recuperando para retornar ao poder. Mas fora da ilha a imprensa, principalmente a norte-americana, diz que ele está no fim de seus dias e que ele não voltará mais. Tendo a acreditar mais na imprensa de países democráticos.
Escrito por Marcelus G. Zalotti | 09:43 PM | Comentários (1)
Saddam, a forca e o Iraque
Sim, você já deve saber, o ex-ditador do Iraque Sadam Hussein foi enforcado hoje de manhã, praticamente diante das câmeras de TV.
Sabe, nem sei muito o que poderia dizer a respeito, já que os fatos falam tudo por si. Acima de se questionar a validade ou não da pena de morte, o fato é que o julgamento de Saddam se assemelhou muito mais a vingança temperada com golpes de marketing (como o “coincidente” anúncio do enforcamento no Iraque às portas das eleições legislativas nos EUA) do que a um julgamento propriamente dito — tanto é que a imensa maioria das instituições internacionais de direitos humanos e de justiça internacional condenou o processo todo.
Enfim… todo o debate se extingue na medida em que Saddam morreu (e fizeram questão de mostrar isso, colocando no ar o corpo recém-executado dentro de um saco). Mas o Iraque, país que ele comandou com mãos e pés de ferro durante tanto tempo (e, no passado, com o auxílio luxuoso do dinheiro e das armas norte-americanas), continua sendo enforcado… todos os dias.
Escrito por Marcelus G. Zalotti | 09:35 PM | Comentários (0)
dezembro 25, 2006

Escrito por Marcelus G. Zalotti | 09:05 PM | Comentários (1)
dezembro 15, 2006
Adiós, Pinochet.

Pois é, Augusto Pinochet morreu.
A tentação seria dizer “já vai tarde, filho-da-puta”, mas de fato eu não me sinto à vontade para dizer isso porque:
01. Ele, à maneira de (infelizmente, vários) outros ex-ditadores como Slobodan Milosevic, terminou desmoralizado, mas morreu sem pagar na justiça por nenhum dos crimes que cometeu.
02. As prostitutas não merecem associação com um sujeito desses.
Agora, o que foi engraçado mesmo foi ler as biografias publicadas e as declarações de políticos de alto escalão na imprensa dos Estados Unidos e da Grã-Bretanha falando a respeito do quão ruim Pinochet era… e depois se lembrar que lá nos anos 1970 e 1980 os líderes destes mesmos países apoiaram descaradamente (incluindo aí apoio militar e apoio financeiro, com milhões em dinheiro) o regime sanguinolento e opressor do Chile — tudo, é claro, em nome do anti-comunismo e da “promoção do livre mercado”.
Ah, essa imagem veio daqui.
Escrito por Marcelus G. Zalotti | 03:09 AM | Comentários (0)