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julho 14, 2005
Eu não estava enganado…
Deus é testemunha de que nada tenho contra a língua espanhola. Muito pelo contrário, sou um admirador de Cervantes, Tirso de Molina, Lope de Vega, Calderón, Luis de Góngora e Jorge Luis Borges, para citar apenas uns poucos dos muitos que escreveram no belíssimo idioma de Castela. Mas é preciso ter perdido o juízo — ou caído nas garras de um poderoso lobby — para colocar o espanhol à frente do inglês como acaba de fazer a Câmara dos Deputados.
O Parlamento aprovou na semana passada o projeto de lei nº 3.987/00 do deputado Átila Lira (PSDB-PI), que obriga escolas públicas e privadas de ensino médio a oferecer o espanhol como disciplina optativa no horário regular de aulas. Se o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não vetar a proposta, ela se converterá em lei. Nada indica que vá fazê-lo, uma vez que o ainda ministro da Educação, Tarso Genro (PT-RS), é um dos mais entusiasmados apoiadores da iniciativa. Se se tratasse apenas de oferecer aos jovens a oportunidade de aprender direito o idioma de nossos vizinhos, eu mesmo assinaria embaixo da medida. O problema é que ela se inscreve num quadro legislativo e de realidade que a precede e que ela acaba por perturbar.
Escrito por Marcelus G. Zalotti | julho 14, 2005 04:44 PM